
Beagá, capital de Minas Gerais, é uma cidade rica em cultura, história e folclore. Nossas ruas ecoam com narrativas de eventos inexplicáveis, assombrações e criaturas misteriosas. Passeie com a gente pela cidade e conheça 7 lendas urbanas.
Vamos te apresentar a Avantesma que mora por lá na Lagoinha, te contar a história da Loira do Bonfim, descendo a Afonso Pena, passando pelo bairro Serra vamos nos deparar com um senhor de chapéu e guarda chuva na mão. Também iremos sentir o perfume de Dama da Noite, da Moça Fantasma que anda por ali. Chegando na praça da Liberdade poderemos conhecer Maria Papuda chegando e terminar o dia lá na Vilarinho, para uma noite dançante com o capeta, ou quem sabe até invocar a loira do banheiro.
Conheça 7 lendas urbanas de Belo Horizonte que há muito circulam pela cidade, provocando arrepios e fascinação entre seus moradores.

MAS O QUE SÃO LENDAS URBANAS
Lendas urbanas são narrativas folclóricas contemporâneas que correm pelas ruas da cidade, compartilhadas através de conversas de corredor, relatos online, podcasts e memes na internet (rs).
São histórias passadas de geração que vão adicionando uma dimensão de mistério à vida urbana.
CAPETA DA VILARINHO
“só quero dançar…
só mais um pouquinho
só quero dançar…
só quero dançar…
lá no vilarinho!”
Até funk essa lenda tem!
Nosso passeio começa na Vilarinho, uma avenida da região de Venda Nova que possui 6,5 quilômetros de extensão. Uma das principais vias da região de Venda Nova, conhecida por abrigar muitas festas populares, forrós e bailes.
A história do Capeta da Vilarinho se espalhou pelo bairro e tornou-se parte da cultura local e tem algumas versões conhecidas.
Tudo começou em outubro de 1982, quando o conjunto de quadras local foi inaugurado.
Segundo a lenda, durante um concurso de dança em uma dessas quadras, o célebre dançarino Ricardo Malta competiu contra um homem desconhecido de chapéu. No final, somente Malta e o forasteiro permaneceram na competição, com o estranho ganhando o campeonato. No entanto, ao remover o chapéu em comemoração, revelou-se que ele tinha dois chifres na cabeça. O alvoroço tomou conta do local, e o desconhecido desapareceu em meio à confusão.
Em outra versão da história, um jovem chamado Alex, chamou uma bela moça para dançar. Com sua habilidade notável, o casal dançou por um longo tempo até que o chapéu de Alex caiu, revelando os chifres em sua cabeça.
AVANTESMA DA LAGOINHA
Agora vamos até a região Nordeste de Belo Horizonte, para conhecer o Avantesma da Lagoinha. Esse ser desfigurado assombra o bairro desde a década de 1940.
Um senhor vestido todo de preto, mas sem traço de rosto ou feição. O Avantesma da Lagoinha é uma aparição disforme e cruel, que exala cheiro de enxofre por onde passa.
Dizem que ele tirava os bondes dos trilhos e soltava uma risada aterrorizante.
Os bondes deixaram de existir, mas a figura monstruosa não desistiu: atualmente, há relatos de que ela assusta os motoristas de táxi e ônibus que circulam pela região e até os dias de hoje conseguem vê-lo vagando.
LOIRA DO BONFIM
Chegamos agora ao bairro da região Noroeste de Belo Horizonte que tem uma das mais conhecidas lendas urbanas de beagá.
Você já ouviu a história da Loira do Bonfim?
Dizem por aí que uma mulher bonita e sensual, de cabelos loiros e roupas brancas, seduzia vários homens na região central da cidade. Esse convite era feito por volta das 2 horas da manhã, horário em que a cidade está repleta de boêmios.
Ela os chamava e fazia um convite, para muitos irrecusável, ir até a casa dela.
Às vezes de carro, outras vezes de bonde ou taxi, a loira ia passando o direcionamento até a sua casa, o cemitério do Bonfim. Quando chegavam lá, ela simplesmente desaparecia entre os túmulos.
Dizem que por muito tempo motoristas se recusaram a trabalhar na região no período da noite, com medo da Loira do Bonfim.
MARIA PAPUDA
Maria Papuda ou Fantasma do Palácio. Essa lenda urbana atende por dois nomes!
Chegamos agora à região centro-sul para contar a história da Maria Papuda, outra lenda urbana bastante conhecida.
Maria era uma mulher que morava em um casebre construído onde hoje está o Palácio da Liberdade. Ela tinha bócio, uma doença que faz com que a tireóide aumente de tamanho, deixando a região do pescoço inchada, o que lhe rendeu esse apelido.
Diz a lenda que Maria, furiosa por ter que deixar seu casebre, rogou uma praga a todos que fossem morar no novo Palácio, afirmando que, quem assumisse o estado em ano par sofreria um grave acidente.
O burburinho cresceu quando, em 1902, Silviano Brandão, eleito presidente do estado no ano de 1898 e vice-presidente da República em 1902, morreu antes de assumir o mandato federal.
Em 1906 foi a vez de João Pinheiro assumir a chefia do Estado. Ele morreu dois anos depois. Depois, em 1924, morre Raul Soares, eleito Governador em 1922. Temos ainda a morte de Olegário Maciel, um mês antes de completar 78 anos. Talvez ele não seja uma vítima da maldição, por ter falecido já mais velho… Mas o fundador do Partido Progressista, que fora eleito no ano de 1924, vem à óbito repentinamente no banheiro do próprio Palácio.
Diante de tantas evidências da veracidade da maldição, Juscelino Kubitschek, Israel Pinheiro, Tancredo Neves e Itamar Franco se recusavam terminantemente a ficar no palácio depois que anoitecia.
Itamar Franco chegou a dar uma entrevista em 2002, enquanto governador do Estado de Minas Gerais, confirmando que o Palácio da Liberdade é de fato assombrado. Segundo ele, muitas vezes as portas e janelas se abrem e fecham sozinhas.
A MOÇA FANTASMA
“Morri sem ter tido tempo
de ser vossa, como as outras.
Não me conformo com isso,
e quando as polícias dormem
em mim e fora de mim,
meu espectro itinerante
desce a Serra do Curral”
Em seu poema Canção da Moça-Fantasma de Belo Horizonte, Carlos Drummond de Andrade conta a história de mais uma das lendas urbanas de Belo Horizonte.
Agora descemos a Serra do Curral em direção a região centro-sul de Belo Horizonte. Esse é exatamente o trajeto da moça fantasma, uma mulher que vaga pela cidade em busca de amores perdidos.
Muitos relataram ter visto uma mulher descendo a Serra do curral, chegando até a Savassi. Dizem que é possível reconhecê-la pelo delicado perfume de dama-da-noite que preenche o ar quando ela passa.

FANTASMA DA SERRA
Nossa penúltima parada é no Bairro Serra. Aqui, vive uma figura misteriosa que veste um terno preto e sempre carrega consigo um guarda-chuva. Reza a lenda que o Fantasma da Serra é um ex -funcionário público de Ouro Preto que foi forçado a deixar sua cidade natal para participar da construção de Belo Horizonte na década de 1890.
A lenda ganha um toque de mistério no mês de junho. A cada ano, relatos emergem sobre a aparição pontual do “Fantasma da Serra” na Rua do Ouro, sempre à meia-noite e trinta. Ele permanece imóvel, não pronuncia uma palavra e simplesmente observa aqueles que passam.
A LOIRA DO BANHEIRO
Mas e a Loira do Banheiro? Onde está essa lenda urbana no mapa de BH?
A lenda da Loira do banheiro não é associada a nenhuma região específica da cidade, mas sempre foi muito forte nas escolas da capital. Entre os alunos, circulavam formas de “chamar” essa figura sobrenatural, sussurrando seu nome diante do espelho do banheiro.
Segundo a lenda, uma moça sofreu um acidente enquanto seu filho estava de castigo no banheiro. Desesperada, ela tentou correr para se despedir do filho, mas foi tarde demais. Assim, ela se transformou em um fantasma que busca eternamente seu filho.
Nossa Beagá é muito mais do que uma cidade de prédios e avenidas. Suas ruas são palco de histórias extraordinárias, onde o inexplicável se mescla com o cotidiano.
Hoje, fizemos uma viagem por algumas das lendas urbanas mais enigmáticas da cidade, desvendando segredos guardados nas esquinas, praças e avenidas que a compõem.
Sabemos que nossa cidade é rica em histórias e segredos não revelados, e estamos curiosos para ouvir de você. Que outras lendas urbanas da cidade estão faltando nesta lista? Você tem alguma lenda urbana de seu bairro para compartilhar conosco? Conta aqui pra gente nos comentários.