A vontade de ocupar as ruas e preencher Belo Horizonte com cores deu origem ao CURA – Circuito Urbano de Arte. Esse projeto, idealizado por três mulheres, se transformou em um dos maiores festivais de arte pública do Brasil.
Em suas oito edições, o CURA já conta com 26 murais em empenas e quatro mirantes de arte urbana, incluindo um em Manaus.
Criado em 2017, o festival deu a Belo Horizonte o primeiro circuito de pintura em empenas do mundo e a maior coleção de arte pública indígena do planeta.
COMO FUNCIONA
Cada edição possui uma curadoria e alguns artistas convidados, mas também abre um edital para novos talentos. As idealizadoras do projeto escolhem um tema para cada edição, baseado no qual são feitos os convites e lançado o edital.
As edições do festival duram o tempo que for necessário para criar os murais. Já foram 14 dias, mas hoje são 11 dias de um festival 100% gratuito que mistura pintura, dança, música, cinema, rodas de conversa e instalações de rua, tudo em prol de valorizar a cidade de Belo Horizonte.
EMPENAS: AS TELAS EM BRANCO DO CURA
As empenas, ou partes cegas dos prédios, tornaram-se o palco para a expressão artística do CURA. Esse formato de ocupação tem raízes na própria configuração urbana da cidade, que não aderiu ao modelo de prédios colados uns aos outros. Isso criou enormes telas em branco que o CURA agora transforma em incríveis murais.
DESAFIOS
Apesar da alegria que o festival traz à cidade, existe um grande processo burocrático para liberar a pintura dos murais. O hipercentro de Belo Horizonte é tombado, então qualquer alteração precisa ser aprovada por uma comissão.
Alguns moradores e até membros da comissão já se manifestaram contra a ideia de colorir os prédios. Em 2022, um morador do edifício Chiquito Lopes entrou com um processo na justiça para apagar a obra da artista Criola. O caso gerou polêmica na cidade, mas a justiça manteve o mural intacto.
AS MENTES CRIATIVAS POR TRÁS DO CURA
Conhecer as três mulheres que estão à frente do CURA nos ajuda a entender as raízes e a importância do festival.
Janaína Macruz traz consigo a política desde a infância, crescendo em uma família de militantes na região do Araguaia. Apesar de formada em engenharia de produção, ela encontrou seu lugar no ativismo e na produção cultural.
Juliana Flores iniciou sua carreira no jornalismo e mais tarde se aventurou no empreendedorismo cultural ao fundar a editora Aletria. Ela é também é gestora de projetos literários.
Priscila Amoni, a artista do grupo, é uma das figuras mais proeminentes do muralismo em Minas Gerais, reconhecida internacionalmente. Seu trabalho em telas evoluiu para ocupar espaços públicos e muralismo de grande formato.
Ela já foi uma das convidadas do Tanto de trem, podcast idealizado inicialmente por Virgínia Sasdelli, do BH Dicas e Felipe Martins, aqui da Made in Beagá para exaltar Belo Horizonte. Para ouvir o episório sobre o CURA clique aqui.
LINHA DO TEMPO
- 2017 – Primeira Edição: Inauguração do primeiro mirante de arte urbana do mundo, o Mirante Sapucaí.
- 2017 – Segunda Edição (CURAx): Realizada em dezembro para celebrar os 120 anos de Belo Horizonte, todas as obras visíveis do Mirante da Lagoinha foram iluminadas, incluindo um novo mural, o “Abraço” de Davi DMS.
- 2018 – Terceira Edição: Consolidou o festival no cenário cultural da cidade e marcou a presença de artistas negros, especialmente mulheres, ocupando espaços historicamente reivindicados. Apresentou o show de Djonga.
- 2019 – Quarta Edição: A primeira edição foi realizada na Lagoinha, o bairro mais antigo de BH. O festival extrapolou o muralismo, promovendo exibições de filmes, oficinas, aulas e debates.
- 2020 – Quinta Edição: Com várias empenas no hipercentro da cidade e o restante da programação online devido à pandemia. Uma instalação inflável de Jaider Esbell chamada “Entidades” foi montada nos arcos do Viaduto Santa Tereza.
- 2021 – Sexta Edição: Explorou a força das águas do Rio Amazonas e a energia da floresta, desaguando na Praça Raul Soares.
- 2022 – Sétima Edição: Um ano desafiador que viu o festival retornar com ainda mais vontade de alegrar a cidade com arte e música. O tema foi a terra, com artistas indígenas e do MST criando novos murais.
E o melhor de tudo, este ano tem mais! Mais arte, criatividade e inspiração colorindo as ruas de Belo Horizonte.